ENCENADOR, PERFORMER e PINTOR

ARTES PERFORMATIVAS
performing arts


Brevemente

Exposição de Pintura e Desenho
Lisboa

África fantasma II 
Lisboa

2012


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ÁFRICA FANTASMA (2010)


A dramaturgia desta criação teatral foi guiada e assombrada pela África fantasma de Michel Leiris, um texto de uma longa viagem saturado de sombras de um passado colonial familiar à nossa história colectiva. O seu diário africano é um exercício de escrita simbiótica de etnografia, psicanálise e surrealismo, e simultaneamente uma crítica subtil ao colonialismo. Os sonhos, o acaso, o fascínio pelas artes primitivas, o erotismo e a morte são contrapontos a um cada vez mais vincado e feroz racionalismo científico e capitalista. Um continente transforma-se num obscuro objecto de desejo, um imenso território onde se projectam todas as inquietações, fantasias e fantasmas. Essa África, hoje obviamente já outra, onde na conferência de Berlim de 1885, os líderes nacionais europeus desenharam linhas arbitrárias sobre o seu dorso, para reclamar e definir “as suas” colónias. As percepções etnocêntricas de uma Europa considerada racial, cultural e economicamente superior, os laços indissociáveis entre a expansão colonial e a construção da modernidade e da vanguarda artística na Europa. Utilizei e manipulei o texto (África fantasma) como um mapa a percorrer (trilhar e triturar) e uma superfície de projecção (tela e ecrã) para as minhas próprias narrativas, desejos e fantasmas.  A estrutura da peça assenta numa estratégia de composição polifónica onde se interpenetram memórias autobiográficas e fragmentos da história colectiva, momentos musicais e imagens turbulentas, reflexões sobre o racismo e a guerra colonial portuguesa.

The dramaturgy of this theater creation was guided and haunted by Michel Leiris “L’Afrique Fantôme”, an text of a long journey saturated with shadows from a colonial past familiar to our collective history. Dreams, pure chance, primitive arts, erotism and death; opposites to an increasingly marked and ferocious capitalist and scientific rationalism. Africa becomes an immense territory to project all fantasies and ghosts. The text (Phantom Africa) was used and manipulated like a map to travel across and as a surface of projection (canvas and screen) for my own ghosts and desires.


La dramaturgie de cette création a été orientée et hantée par «l’Afrique Fantôme» de Michel Leiris, un texte de une voyage saturé d’ombres d’un passé colonial familier à notre histoire collective. Son journal africain est un exercice d’écriture symbiotique d’ethnographie, de psychanalyse et de surréalisme. Les rêves, le hasard, la fascination par l’art primitif, l` érotisme et la mort; tout cela semble surgir comme un contrepoint à un rationalisme scientifique et capitaliste de plus en plus marqué et féroce. Le texte (L’Afrique Fantôme) sera utilisé et manipulé comme une carte à parcourir (fouler et triturer) et une surface de projection (toile et écran) de mes propres fantasme. La structure de la pièce repose sur une stratégie de composition polyphonique; des mémoires autobiographiques et des fragments d’histoire collective s’interpénètrent, des moments musicaux et des images turbulent, des réflexions sur le racisme et la guerre coloniale portugaise.

Encenação, dramaturgia, espaço cénico e sonoro João Samões Textos a partir de Frantz Fanon (Pele negra, máscaras brancas) Pianista Jan Wierzba Interpretação Laurinda Chiungue Direcção de produção Mónia Mota Registo fotográfico Carlos Gonçalves, Ricardo Mendes Registo vídeo João Dias Edição João Samões Co-produção Duplacena/Temps d`images Apoios Instituto Franco-Português, Fundação Calouste Gulbenkian, Transforma Duração 60 minutos
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18 MINUTOS (2000)

Um solo de dança, onde a coreografia se constrói, solar e hipnótica, num diálogo corpo-a-corpo com o som, uma manipulação de texturas, ritmos e conteúdos das palavras e pensamentos do artista Marcel Duchamp sobre o processo criativo, a partir de fragmentos de entrevistas realizadas em 1957 e 1959. Esta peça começa com o som do bater do meu coração debaixo das cadeiras do público, e termina em pensamentos e devaneios sobre a intemporal cumplicidade entre arte e erotismo.

Un sol de danse, où la chorégraphie se construit, solaire et hypnotique, en un dialogue en corps-à-corps avec le son; une composition sonore centrée sur la manipulation de textures, de rythmes et de contenus des paroles et des pensées de l’artiste Marcel Duchamp sur le processus créatif, à partir de fragments d’interviews en 1957 et 1959. Cette pièce commence avec le son de mon cœur qui bat sous les chaises du public, et se termine en pensées et rêveries sur la complicité intemporelle entre l’art et l’érotisme.

Coreografia e interpretação João Samões Desenho de som e luz João Samões e David Palma Registo vídeo Edgar Pêra Registo fotográfico Ricardo Mendes Apoio Festival X Duração 18 minutos
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O LABIRINTO A MORTE E O PÚBLICO (2007)

Num espaço e tempo cúmplice; os intérpretes, o público, e um esqueleto humano interagem e reflectem sobre o carácter efémero do corpo, numa abordagem simbiótica entre uma experiência de acção no domínio do gesto e da presença e a comunicabilidade do espaço cénico no domínio dos signos e dos sentidos. Nesta peça, toda a iconografia se instala sob o signo do efémero e do transitório. Ossos, flores e frutos, foram a matéria-prima iconográfica para uma (doce) celebração dos mistérios da vida e da morte. Assim como as palavras que acabámos de trocar se dissipam, mais aqui não fica do que um rasto de pó a vibrar na nossa memória. A morte é por excelência um momento de crise e de radical transição profundamente enraizado no coração da vida social. Todas as sociedades apresentam um determinado número de cerimónias e rituais fúnebres que têm como objectivo assinalar esta radical transição. Uma thanatologia lança-nos na extrema diversidade e complexidade de formas culturais de pensar a morte, sob a forma de rito, mito, obra de arte, especulação filosófica ou hipótese científica.

The Labyrinth, Death and the Audience. Bones, fruits and flowers. The audience, the performers and a human skeleton, all accomplices in time and space, interact and reflect upon the ephemeral and transitory nature of the body, in a symbiotic approach to an experience of action in terms of gesture and presence and the communicability of the set within the domain of signs and senses.

L’espace et le temps aidant; les interprètes, le public, et un squelette humain interagissent et reflètent sur le caractère éphémère du corps, dans une approche symbiotique entre une expérience d’action dans le domaine du geste et de la présence et la communicabilité de l’espace scénique dans le domaine des signes et des sens. Dans cette pièce, toute l’iconographie s’installe sous le signe de l’éphémère et du transitoire. Un requiem où les os, les fleurs et les fruits, étaient la matière première iconographique d’une méditation esthétique et performative sur la mort. Tout comme les paroles que nous venons d’échanger se dissipent, ici il ne reste qu’une trainée de poudre qui vibre dans notre mémoire. La mort est par excellence un moment de crise et de transition radicale, profondément enracinée dans le cœur de la vie sociale. Toutes les sociétés ont un certain nombre de cérémonies et de rituels funéraires visant à souligner ce passage radical. Une thanatologie nous plongerait dans l'extrême diversité et complexité culturelle des modes de réflexion sur la mort, sous la forme de rite, mythe, œuvre d’art, spéculation philosophique ou hypothèse scientifique.

Encenação, dramaturgia, espaço cénico e sonoro João Samões Interpretação João Samões, João Galante, Margarida Mestre Som Jack Goldstein Registo fotográfico Ricardo Mendes Registo vídeo Helena Inverno Apoios Centro Cultural de Belém, JGM/espaço do Urso e dos Anjos, Transforma Projecto apoiado pela DG/Artes-MC Duração 60 minutos
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BLACKOUT (2008)

Blackout é um trabalho experimental centrado num objecto manipulado como gerador de som, ressonância e sentido. Nele dois intérpretes exploram a superfície e as texturas dos ossos de um esqueleto humano através de pequenos microfones, enquanto um sonoplasta esculpe electronicamente o som em tempo real, produzindo uma acção estética e sonora que serve de trampolim para uma meditação sobre os mistérios da morte.

Blackout est un travail expérimental centré sur un objet manipulé comme générateur de son, résonance et sens. Dans cette performance deux interprètes d'explorer la surface et la texture de l'os d'un squelette humain avec des micros petites, comme un preneur de son sculpte le son électronique en temps réel, en produisant une action esthétique et sonore qui sert de tremplin à la méditation sur les mystères de la mort.

Blackout is a work centred on an expansion of the possibilities of an object manipulated and used to generate sound, resonance and meaning; two performers explore the surface and texture of the bones of a human skeleton through the use of small microphones, while a sound designer manipulates and sculpts the sound produced in real time.

Criação, espaço cénico e sonoro João Samões Interpretação João Samões, João Galante Músicos convidados para processamento de som Jari Marjamaki, Vitor Joaquim, Nuno Rebelo Registo fotográfico Ricardo Mendes Registo vídeo João Biscainho, João Dias Duração 45 minutos